sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ENSINO DOMICILIAR - O QUE É ISSO?

Esta semana, o programa “Fantástico”, da Rede Globo, apresentou uma reportagem sobre "ensino domiciliar no Brasil", que consiste dos pais instruírem as crianças e os adolescentes em casa, ao invés de mandá-los para a escola. Essa modalidade de educação não encontra respaldo legal.  Aqui, a obrigação é de que eles matriculem seus filhos em um colégio. Caso não o façam, respondem por abandono intelectual e correm o risco de perderem a guarda deles. Mesmo que obtenham sucesso e atinjam objetivos superiores aos da instrução formal, como os exemplos citados pela reportagem.


Apesar de causar estranheza, ensinar em casa não é novidade no mundo, principalmente nos Estados Unidos. Lá, o fator financeiro parece ser o de maior peso para essa opção, pois é mais barato. Como tudo, até já virou um filão de negócio, com a venda de currículos e materiais didáticos. Argumenta-se, também, que o ambiente escolar não é favorável, visto ser muito competitivo.


Penso ser esse um aspecto favorável, não o contrário. A escola, entre outras funções, prepara o indivíduo para a vida, que é competitiva. Estamos sempre disputando espaço com outras pessoas. E convivendo com elas.


Ao sair de casa para ir para o espaço escolar, expandimos as possibilidades das crianças, não só de convivência com outras, mas de vivenciar e compartilhar modos de vida diferentes, ideias e visões de mundo. Permitindo a ampliação de vivências e percepções. Usando um termo que está na moda, de viverem a diversidade.



Sem contar que a criança é inserida em regras mais gerais, que dizem respeito ao país, onde mais que se sentir pertencente a uma família, sente-se parte de uma nação – ela é cidadã e vive como tal.


Pensando o aspecto emocional, os pequenos passam a conviver com outros da mesma faixa etária, compartilhando conflitos inerentes à própria idade. Um deles diz respeito ao aprender em si. Não só de competitividade vive o ambiente escolar, mas aprender num grupo onde a boa convivência é trabalhada, facilita a criança a se arriscar, pois sente que será acolhida. Caso isso não ocorra (como dizem: as crianças são cruéis), é o momento de aprender a superar a sensação de fracasso e correr atrás do prejuízo. São os desafios da vida.


De todo modo, o ensino domiciliar ainda é uma novidade por aqui e não sabemos direito onde vai dar. Como tudo que vai contra a maré, traz estranheza e pouca aceitação. Por isso, para as famílias que optaram ou que pretendem aderir, há muita luta pela frente.


Porém, que ninguém se iluda que é algo fácil: disciplina, preparo e disponibilidade dos pais são aspectos necessários. E fiscalização, não dá para ser uma terra de ninguém, em que se ensina de qualquer jeito ou qualquer coisa, como acontece com as escolas. Há um mínimo de coisas a serem aprendidas, inclusive para a convivência com os outros e para a entrada na universidade.


Se pensarmos como andam nossas escolas hoje, sejam as públicas, onde tudo acontece menos o aprender acadêmico; sejam as particulares, que estão se tornando cada vez mais inviáveis devido aos altos custos e aos seus projetos estapafúrdios, não dá para criticar essas famílias.


Inclusive, uma delas relata ter conseguido com seus filhos o que deveria ser o objetivo maior das escolas: tornarem seus alunos autodidatas, ou seja, ensiná-los aprenderem a aprender.


Em 21/02/2013 por Ana Cassia Maturano 


Fonte: http://g1.globo.com/platb/dicas-para-pais-e-filhos/



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