segunda-feira, 18 de março de 2013

DISLEXIA NA INFÂNCIA NÃO SIGNIFICA MENOS INTELIGÊNCIA - AFIRMA HOSPITAL PORTUGUES


A dislexia é uma dificuldade específica na aquisição da leitura, mas não é sinônimo de baixa inteligência, afirma o serviço pediátrico do Hospital que pesquisa sobre a saúde da criança em Portugal.





Por: Andreia Garcia



"No momento do diagnóstico, há pais que revelam um primeiro medo: será que o meu filho não é inteligente? 

Mas essa é uma noção desajustada do problema, pois a criança pode ser disléxica e ter um déficit na consciência fonológica, e a inteligência ser independente disso", 
sublinha Ana Serrão Neto, coordenadora da Pediatria do hospitalcuf descobertas.

Os disléxicos demoram mais tempo a discriminar os sons da linguagem oral, em comparação com os não disléxicos. Assim, os sons parecidos podem soar-lhes como iguais e as pausas podem não ser percebidas, o que faz com que as crianças tenham dificuldades em associar o som à letra e terem dificuldades no início da aprendizagem da leitura.

O insucesso e o absentismo escolares são uma das consequências da dislexia quando não diagnosticada e reeducada. Por isso, os professores e educadores devem estar atentos aos sinais de risco e saber comunicá-los aos pais, de modo a que estes possam procurar ajuda de profissionais que diagnostiquem e intervenham corretamente.

"Quando se fala em diagnóstico estamos a falar de um processo contínuo. Há crianças com dislexia grave que requerem medidas educativas especiais. 
Há outras que com apoio individualizado na sala de aula, dado pelo próprio professor, ultrapassam as dificuldades"
refere a médica.

E acrescenta: 
"existem vários exemplos de erros ortográficos cometidos por disléxicos, sendo os mais comuns a omissão, substituição, inversão e adição de sons, por exemplo, lido-lindo; quatro-quarto; fui-vui; desde-deste; a prender-aprender; prato-parto."

Atualmente, sabe-se que o fator de maior risco de uma criança desenvolver dislexia é a hereditariedade. Um menino tem um risco de 40 a 50 por cento de vir a ser disléxico se um dos pais for disléxico. Se for uma menina, a probabilidade desce.

Não esquecendo que cada caso é um caso, os sinais de alarme nas crianças mais novas incluem: 
- atraso na aquisição da linguagem (nenhuma palavra até aos 2 anos);
- linguagem "bebé" durante muito tempo; dificuldade de memorização de algumas palavras (como o nome das cores);
- frases curtas com alterações e omissões de palavras.

"No primeiro ano de escolaridade, os sinais de alarme mais comuns são: discurso não fluente, com pausas, hesitações, repetições, e linguagem imprecisa; pronúncia incorreta de palavras não familiares; omissões e/ou confusões das sílabas; necessidade de tempo para organizar as respostas orais; dificuldades em associar as letras aos sons (aprender a ler), entre outros. Se a criança não for devidamente intervencionada, a dislexia tem implicações na auto-estima, incluindo ainda comportamentos de oposição, fobia escolar, enurese, vômitos, altos níveis de ansiedade" explica Filipe Glória Silva, pediatra do hospitalcuf descobertas.




A dislexia é uma perturbação específica de aprendizagem com origem neurobiológica, caracterizada por dificuldades na correção e/ou fluência leitora, na soletração, decifração e ortografia. Resulta de um déficit fonológico, podendo surgir dificuldades de compreensão leitora, impedindo o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais.



Investigações internacionais apontam para uma prevalência entre 5 a 10% das crianças em idade escolar.


O serviço de Pediatria do hospitalcuf descobertas dispõe de uma vasta equipa clínica por forma a vigiar a saúde da criança, acompanhar o seu crescimento e tratar a doença.

Fonte: http://medicosdeportugal.saude.sapo
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