sábado, 15 de novembro de 2014

BOLSISTAS CONTAM COMO É ESTUDAR NO EXTERIOR POR MEIO DO CIÊNCIAS SEM FRONTEIRAS



Paola de Andrade, Vitor Hugo e Vivian Vasconcelos são bolsistas pelo Ciências Sem Fronteiras e fazem pós-graduação em universidades que estão entre as 100 melhores do mundo (Foto: Arquivo pessoal)

Paola de Andrade, Vitor Hugo e Vivian Vasconcelos são bolsistas pelo Ciências Sem Fronteiras e fazem pós-graduação em universidades que estão entre as 100 melhores do mundo (Foto: Arquivo pessoal)


Cauê Fabiano
G1/SP


Estudantes brasileiros ouvidos pelo G1 que estão em universidades de ponta pelo programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, consideram fundamental a experiência que estão tendo para o desenvolvimento acadêmico e profissional.



Bolsistas que estão nos EUA, Cingapura e Suíça dizem que pretendem retribuir para o Brasil o resultado de seus trabalhos no Exterior.



Os brasileiros dizem que não tiveram problemas com o repasse de auxílios oferecidos pela bolsa, e comemoram as facilidades no acesso a instrumentos de pesquisa sem a burocracia que as universidades brasileiras enfrentam. "Tenho a oportunidade de ter acesso a uma tecnologia que eu não teria no Brasil", diz a gaúcha Paola de Andrade Mello, de 29 anos, que faz doutorado em medicina na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

"O centro é altamente qualificado em termos de estrutura, e a gente desenvolve pesquisas de alto nível", diz a mineira Vivian Vasconcelos Costa, de 30 anos, que faz pós na Universidade Nacional de Cingapura. Tem muita integração entre diversos grupos, o que aumenta bem o impacto da pesquisa.

Desde 2011, mais de 71 mil estudantes brasileiros fizeram as malas para estudar no exterior, por meio do do programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal. E, entre as mais de 39 mil bolsas que ainda estão vigentes, 13,8% deles estão matriculados entre as 100 melhores universidades do mundo, realizando desde graduação-sanduíche até pós doutorado.



HARVARD, EUA

Paola de Andrade Mello, de 29 anos, nascida em Porto Alegre (RS), chegou em setembro em Boston, Massachusetts (EUA), onde passará um ano realizado parte de seu doutorado na Harvard Medical School, hospital da segunda melhor universidade do mundo, realizando uma pesquisa voltada para o câncer por meio do Ciência sem Fronteiras.


Como foi parar em Harvard?

Tenho dois professores que fizeram seus doutorados e pós-doutorados em Harvard, então eles conheciam o laboratório no qual estou trabalhando agora. Tem o nome, claro, mas esses dois professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que também estudaram aqui, que, na época deles não era o Ciência sem Fronteiras, mas existia uma bolsa na qual eles receberam dinheiro do Brasil.


Como está sendo a experiência?

Tenho a oportunidade de ter acesso a uma tecnologia que eu não teria no Brasil. Eu recém-cheguei, mas já dá para ver que a diferença é gigantesca em acesso aos produtos, aos equipamentos. Tu compras um anticorpo e, no outro dia, ele já está aqui. No Brasil, tem todo o processo de importação, tem que parar na Anvisa, muitas vezes a gente fica sem acesso.

É tudo organizado, burocrático. Por exemplo, passei duas semanas fazendo treinamento, não podia fazer experimentos, nada. No Brasil a gente já começa, trabalha de qualquer jeito, aqui é diferente.


Está recebendo o apoio financeiro do programa? 

Já recebi os três primeiros meses, no Brasil, antes de viajar. Já tinha recebido três meses de bolsa, auxílio moradia, seguro-saúde e, agora em dezembro, recebo outros três meses. Foi perfeito, muito organizado. A única coisa foi a quantia que recebo da bolsa. Porque, para conseguir vir para a universidade, tenho que comprovar que vou receber um valor X para estudar em Harvard, só que esse total é inferior do que eu tinha. Graças a Deus eu tinha um dinheiro ali para atingir um valor que Harvard exige. Foi a única coisa ruim porque tinha que ter esse pé de meia.


Como será a retribuição ao Brasil?

O conhecimento que vou adquirir aqui abre novas oportunidades para quando eu voltar para o Brasil. Tentar implementar as coisas que aprendi aqui, passar para as universidades a metodologias, o conhecimento, na forma didática e de pesquisa. Tenho que terminar o doutorado no Brasil, então essa vai ser a forma de ‘pagar’, de uma certa forma, esse investimento.


Qual a sensação de estudar em uma das melhores universidades do mundo?

O Brasil está dando uma oportunidade que muitas pessoas não teriam. É muito difícil tu conseguir uma vaga numa universidade desse porte, e ainda por cima estou recebendo para estar aqui. É só satisfação, e todo mundo deveria poder fazer isso.





ZURIQUE, SUÍÇA


Graduado em Matemática Aplicada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o capixaba Vitor Hugo Louzada, de 28 anos, termina no fim deste ano o doutorado em física no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, após chegar ao país em 2012 para estudar teoria de riscos, voltado para a área de física.


Como foi parar no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique?

Eles tem um centro interdisciplinar entre vários professores da universidade, e eles estudam riscos de desastres naturais, planejamento urbano, várias vezes. Achei interessante, porque queria estudar estudo de riscos e decidi vir para cá. Depois fui procurar a informação de bolsas no Brasil, e acabei pegando uma das primeiras turmas do Ciência sem Fronteiras.


Como está sendo a experiência?

O choque cultura foi interessante. O ritmo de trabalho é completamente diferente para a pós-graduação aqui. Horário fixo, no mínimo umas 8 horas por dia. Sou considerado empregado normal de uma empresa, tenho que suprir resultados periodicamente, coisas como escrever e trabalhar em um paper científico por ano, são bem rigorosos. Não tenho obrigação de dar aula, nada. Sou contratado para fazer pesquisa.

Está recebendo o apoio financeiro do programa?

Com nenhum atraso. Eles mandam direto para minha conta corrente no exterior e nunca tive nenhum problema. Só que você tem que se programar para três meses, e saber que você só terá dinheiro dali três meses. O único problema que Zurique tem foi achar moradia, que é uma cidade muito pequena e é tudo muito controlado, não tem muita opção.

Como será a retribuição ao Brasil?

Estou numa fase de transição, então não sei para que lado vou seguir, se vou continuar na academia ou vou para uma área mais indústria. Acho que voltando para o Brasil e, tendo esse conhecimento, usar as coisas que aprendi aqui. Quero arrumar um emprego com essa bagagem que adquiri aqui.


Qual a sensação de estudar em uma das melhores universidades do mundo?

É muito gratificante. Com o esforço, aqui é muito mais fácil ver frutos do seu trabalho do que no Brasil, que tem problemas de infraestrutura, organização, então as coisas aqui são mais fáceis. Com esforço, você recebe muito mais. Tive uma experiência de vida que não teria de forma alguma em outro lugar, tanto acadêmica quanto profissional e pessoal também. Foi extremamente interessante.





CINGAPURA


Mineira de Belo Horizonte, Vivian Vasconcelos Costa, com recém-completados de 30 anos, escolheu a Universidade Nacional de Cingapura para realizar sua pesquisa de pós-doutorado na área de pesquisas infecciosas. Ela já tinha estudado duas vezes naquele país durante o doutorado, que também realizou pelo Ciência sem Fronteiras.


Como foi parar em Cingapura?



Foi uma coincidência, por causa da minha linha de pesquisa. Trabalho com desenvolvimento de modelos experimentais, para estudar doenças. Fui pesquisar as pessoas que faziam esse modelo, para escolher onde ir, e foi onde encontrei meu orientador atual, que é do no MIT, nos EUA. Só que ele trabalha em outro laboratório, em Cingapura, onde estou agora. Um instituto dentro da Universidade de Cingapura, a partir de uma aliança entre o MIT e os EUA.

Vim para cá porque trabalho com dengue, e é também um problema muito grave aqui em Cingapura. Então o esforço é concentrado para estudar dengue aqui.


Como está sendo a experiência?



A experiência é incrível, é muito bom trabalhar aqui. O centro é altamente qualificado em termos de estrutura, e a gente desenvolve pesquisas de alto nível. Tem muita integração entre diversos grupos, o que aumenta bem o impacto da pesquisa.

Está recebendo o apoio financeiro do programa? 



Foi tranquilo porque consegui a bolsa pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue, então o trabalho foi bem focado. Recebo a bolsa a cada três meses e nunca tive problema. Sempre recebi certinho


Como será a retribuição ao Brasil?


A dengue ainda é um problema muito que nós temos. Ainda não existe vacina, nenhuma terapia específica, então o investimento na ciência nesse sentido é muito importante. O fato de a gente estudar uma doença assim ajuda a desenvolver pesquisas de qualidade para outras doenças.



Qual a sensação de estudar em uma das melhores universidades do mundo?


Me sinto uma privilegiada, sem dúvida. Muito grata por ter essa oportunidade, e ansiosa para voltar ao Brasil e retribuir essa oportunidade que tive. Porque muitos colegas meus vão e não querem voltar nunca mais, gostam de ficar fora. Mas acho que a gente tem que voltar porque assim que a gente vai crescer como país. Temos que retribuir.



Fonte: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/11/tenho-acesso-tecnologia-que-nao-teria-no-brasil-diz-bolsista-do-csf.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1


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